13 de junho de 2026

Stablecoins atreladas ao real movimentaram R$ 5 bilhões em 2024

As stablecoins atreladas ao real movimentaram R$ 5 bilhões em 2024, de acordo com o BRL Stablecoin Report, estudo da Iporanga Ventures. O relatório indica que o mercado brasileiro de stablecoins deixa de ser um nicho restrito ao ecossistema cripto e avança como infraestrutura emergente para pagamentos digitais, com aplicações em remessas internacionais, operações cross-border, gestão de tesouraria e transações B2B.

O estoque de stablecoins BRL em circulação chegou a R$ 70 milhões em junho deste ano, crescimento de 70% em 12 meses, com 96% do volume concentrado em três emissoras. Embora ainda represente apenas 0,02% do volume transacionado via Pix, o uso de stablecoins cresce de forma consistente, impulsionado pela busca de liquidações instantâneas e custos operacionais mais baixos em transações.

“Estamos acompanhando a construção de uma nova infraestrutura de pagamentos, baseada em blockchain, que conecta o mercado brasileiro aos fluxos globais da criptoeconomia e amplia as possibilidades de inovação no sistema financeiro”, afirma Renato Valente, sócio da Iporanga Ventures.

Os dados do estudo mostram que o uso de stablecoins BRL avança principalmente em transações de empresas que buscam otimização de tesouraria e em remessas internacionais, especialmente para países da América Latina e África. Plataformas como a Avenia (ex-BRLA), emissora de stablecoins atreladas ao real, ampliaram o uso desses ativos para pagamentos cross-border com taxas inferiores às de sistemas tradicionais.

Regulação e perspectivas

O estudo detalha o cenário regulatório em evolução no Brasil, impulsionado pelo Marco Legal das Criptomoedas e pelas consultas públicas conduzidas pelo Banco Central e pela CVM, que discutem regras de supervisão prudencial, requisitos de lastro e mecanismos de combate à lavagem de dinheiro para emissores de stablecoins. Tópicos de extrema importância, dado que esse mercado deve continuar a se expandir rapidamente.

“As stablecoins BRL estão saindo do campo das promessas para se tornarem soluções usadas no dia a dia de empresas e pessoas. O crescimento registrado em 2024 mostra que há demanda real por instrumentos que simplificam transações e tornam pagamentos mais eficientes”, afirma Rodrigo Trindade  pesquisador de cripto  da Iporanga Ventures.”, afirma Rodrigo Trindade, pesquisador de cripto da Iporanga Ventures.

Além da fotografia atual do setor, o report também apresenta previsões contundentes sobre o futuro do mercado. A principal delas: 100% das remessas internacionais de pessoas físicas devem ser feitas pela blockchain até 2030, movimentando mais de US$ 10 bilhões ao ano.

“Há ganhos potenciais em diversas frentes. Mas, no curto prazo, o maior impacto deve vir de operações cross-border de pequenas e médias empresas — especialmente aquelas que faturam menos de R$ 30 milhões por ano — e de remessas de pessoas físicas. Nesses casos, o uso de stablecoins pode reduzir em até 99% os custos com taxas e intermediários. É por isso que acreditamos que esses mercados serão dominados por soluções baseadas em stablecoins!”, complementa Trindade.

O estudo também projeta que, se as stablecoins BRL capturarem apenas 10% dos fluxos de remessas e trade finance existentes, poderão movimentar R$ 660 bilhões por ano e gerar economias de até R$ 33 bilhões, ao reduzir custos com intermediários e liquidação.

Base de dados em tempo real

O BRL Stablecoin Report traz como diferencial um dashboard público e interativo, que será atualizado continuamente e funcionará como base de dados em tempo real sobre o mercado de stablecoins atreladas ao real e futuramente a outras moedas. O painel exibe métricas como volume transacionado, número de endereços ativos e participação de mercado por emissor, permitindo monitorar o crescimento do setor e facilitar análises por empresas, investidores e formuladores de políticas públicas.

Metodologia e parceiros

O estudo combinou dados da blockchain (on-chain) e exchanges descentralizadas, além de entrevistas com participantes do mercado. A iniciativa teve o apoio de parceiros como Stark Bank, Solana Foundation e Conduit no fornecimento de dados e análises para mapear fluxos e usos das stablecoins no país.

A Iporanga Ventures, gestora de venture capital focada em tecnologia financeira, avalia que a evolução das stablecoins BRL representa uma oportunidade estratégica para o Brasil consolidar-se como polo de inovação em pagamentos digitais e contribuir para a agenda de tokenização no mercado financeiro.

Related Post

Descubra mais sobre Early Adopter

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading