26 de agosto de 2026

Arvo Summit reúne lideranças da saúde e debate uso de IA para uma gestão mais eficiente e centrada no paciente

Presidente da ANS, CEOs de grandes operadoras e executivos de tecnologia discutiram como inteligência artificial pode transformar custos, dados e relações na saúde suplementar

São Paulo, 20 de agosto de 2026 — A inteligência artificial pode ajudar a transformar a gestão da saúde suplementar, mas seu impacto dependerá da capacidade do setor de construir uma base sólida de dados, utilizar a tecnologia de forma estratégica e manter o paciente no centro das decisões. Essa foi uma das principais conclusões do primeiro Arvo Summit, realizado nesta quinta-feira (20), em São Paulo, pela Arvo, empresa especializada em inteligência artificial e integração de dados para pagamentos em saúde.

O encontro reuniu executivos, gestores, autoridades e lideranças de operadoras, hospitais e empresas de tecnologia para discutir como a IA pode sair do campo das promessas e gerar resultados concretos em receita, custos e qualidade assistencial.

Na abertura, o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, defendeu que eficiência e justiça precisam caminhar juntas na transformação do setor, sem nunca esquecer que o paciente é prioridade. “Defendo que no centro do sistema de saúde esteja a pessoa, o paciente, não o procedimento”, afirmou.

Damous também chamou atenção para a necessidade de acelerar a adaptação regulatória diante do avanço tecnológico. Segundo ele, durante décadas o setor operou com dados atrasados e a ANS precisa avançar mais rapidamente na regulação de ferramentas de inteligência artificial preditiva, para melhorar o sistema em muitos aspectos.

“Sabemos que o abandono de tratamento não é exceção; é uma rotina silenciosa no nosso sistema. O uso da IA me interessa como regulador para transformar dado em prevenção e prevenção em vida preservada”, completou Wadih.

Para Fabrício Valadão, CEO e cofundador da Arvo, o encontro representa a intenção da empresa de contribuir para uma discussão mais ampla sobre os caminhos da saúde suplementar. “Acreditamos na Arvo como plataforma de diálogo e construção coletiva de um setor da saúde suplementar mais eficiente”, afirmou.

No painel “Do conceito ao resultado: como a IA move receita, custo e saúde”, o CEO do Grupo Hapvida, Luccas Adib, destacou que o avanço tecnológico precisa estar associado a decisões concretas sobre alocação de recursos. “Precisamos saber no que faz sentido gastar dinheiro e mover o ponteiro da operação, pensando não só na cobertura de sinistro, mas em gerar mais saúde ao paciente”, disse.

A discussão também apontou que a adoção da IA depende de uma etapa anterior: a organização dos próprios dados. Rodrigo Rocha, ex-CEO da Amil, ressaltou que a fragmentação das informações ainda é um dos grandes obstáculos do setor. “Não se vai ao quinto andar do prédio sem antes ter o térreo construído”, afirmou, defendendo a estruturação das bases de dados antes de avançar para aplicações mais sofisticadas de inteligência artificial.

No segundo painel, “IA como alavanca de confiança entre operadoras e prestadores de saúde”, Frederico Cruz, Diretor Financeiro do Blanc Hospital, destacou o potencial da tecnologia para eliminar gastos desnecessários e reorganizar relações na cadeia. “Hoje, gastamos dinheiro que não temos para fazer algo que não precisa, pois existe a IA para fazer”, afirmou.

Para Cruz, a tecnologia também pode ajudar a colocar os interesses do paciente acima das relações comerciais. “Relações comerciais não podem se sobrepor ao paciente. A IA vai hierarquizar essas relações”, disse. “A gente vende saúde, que embora tenha preço, não tem valor.”

No painel que fechou o encontro, “Agentes autônomos, produtividade real e segurança com IA”, Rafael Tinoco, CPO e cofundador da Arvo, destacou como modelos avançaram nos últimos anos para a healthtech conseguir oferecer seus serviços com a complexidade atual: “A pergunta não é mais se o modelo de IA consegue fazer, é se podemos deixá-lo tomar decisões”. 

Na conversa, Andy Young, sócio da Kaszek, ressaltou como, apesar de todos os avanços dos últimos anos, a IA ainda vai crescer ainda mais e representar ganhos ainda maiores para o setor: “Hospitais e médicos vão poder lidar com um volume muito maior do que é visto hoje”.

Para a Arvo, os debates reforçaram que a transformação tecnológica da saúde suplementar não passa pela adoção indiscriminada de IA, mas pela combinação entre dados estruturados, inteligência especializada e decisões orientadas por valor, com o paciente como ponto central dessa equação.

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