Com 70% dos recursos fora do país, a gestora diversifica riscos entre mercados e busca empresas capazes de crescer em qualquer governo
A IP Capital Partners, primeira gestora independente do país, mantém hoje 70% da carteira no exterior e 30% no Brasil, e usa essa divisão para diversificar riscos e depender menos do ambiente doméstico. “Você consegue ter um equilíbrio também de volatilidade, de drawdown, de perdas nos fundos”, afirmou Carolina Barbará, CFA e sócia da gestora, em entrevista à Capital Aberto.
A proporção não é uma meta fixa. Em meados de 2025, a carteira chegou perto de 50% em cada mercado, quando o prêmio de risco das ações brasileiras estava mais alto. “O rebalanceamento é contínuo e acompanha as taxas internas de retorno calculadas para cada empresa”, disse Carolina.
No Brasil, as maiores posições estão em utilities e bancos. Lá fora, cerca de metade da carteira está ligada ao ecossistema de inteligência artificial, com empresas de software, provedoras de nuvem e uma companhia de semicondutores. O restante inclui empresas de pagamentos e companhias que fazem aquisições em série. “Essa diversificação entre modelos de negócio e geografias permite comparar oportunidades e trocar exposição quando um mercado fica caro em relação ao outro”, afirmou.
Décima eleição
Fundada em 1988, a IP acompanha neste ano sua décima eleição presidencial e não monta a carteira com base nas urnas. O foco são empresas com motor próprio de crescimento, capazes de crescer em qualquer governo. Para Carolina, encontrá-las no mercado local é o desafio.
“No Brasil, é difícil encontrar empresas que não dependam do presidente do País”, disse ao E-Investidor, do Estadão. “Isso acontece porque, dependendo de quem assumir a Presidência, o cenário para as empresas muda completamente.”
A gestora também evita reagir aos movimentos de curto prazo. “É muito difícil prever resultados eleitorais. Ao investir tendo como norte um evento específico, você pode dar sorte e conseguir surfar a onda, mas, em algum momento, pode ficar pelo caminho”, afirmou.
Na inteligência artificial, a cautela é a mesma. “Este mercado exige cuidado, ainda há muito campo minado”, disse Carolina ao E-Investidor. Segundo ela, a IP escolheu o caminho que considera mais seguro e previsível: a TSMC, nos semicondutores, e as hyperscalers, como Amazon, Google e Microsoft.
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Capital Aberto: https://capitalaberto.com.br/economia-e-financas/2026/10/ip-capital-prioriza-exterior-para-mitigar-risco-da-carteira
