Entender a finalidade de cada modalidade é essencial para tomar decisões financeiras mais conscientes, evitar custos desnecessários e preservar o fluxo de caixa do negócio
O acesso ao crédito é um dos elementos que ajuda pequenas e médias empresas a enfrentar diferentes desafios, desde investir em novos produtos até lidar com imprevistos de caixa e outros tipos de demanda. Especialistas recomendam que a linha de crédito contratada deve ser escolhida com cuidado, para não comprometer o fluxo financeiro do negócio.
“Antes de contratar crédito, o empreendedor precisa entender exatamente qual problema está tentando resolver. Se a escolha for coerente com o momento do negócio, o crédito deixa de ser apenas uma fonte de dinheiro e passa a ser uma ferramenta de gestão”, afirma Marcos Visconti, Head de Crédito do Efí Bank.
Logo, o que direciona a uma boa decisão é considerar o valor necessário, o prazo para pagamento e a natureza do motivo pelo qual se necessita crédito.
Isso significa que uma necessidade pontual de caixa, por exemplo, pode ser resolvida de forma diferente de uma despesa operacional recorrente ou de uma venda que ainda levará semanas para ser recebida.
Veja abaixo 4 cenários com soluções de crédito distintas:
- Despesas do dia a dia à Capital de giro
“O capital de giro é indicado quando a empresa precisa de fôlego para manter a operação funcionando, seja para pagar fornecedores, tributos, folha ou outras despesas recorrentes. É uma modalidade que faz mais sentido quando existe uma necessidade de caixa que será distribuída ao longo de um período maior, e não apenas um imprevisto isolado”, explica Visconti.
- Emergência pontual à Linhas de curto prazo
“Nem toda necessidade de crédito exige um financiamento de longo prazo. Se o problema é pontual e a empresa já sabe que terá entrada de recursos nos próximos dias ou semanas, uma linha de curto prazo pode ser mais adequada. No Efí, por exemplo, apostamos em um modelo de autocontratação justamente pensando na dificuldade que é conseguir crédito com agilidade e liberação imediata, duas características necessárias em momentos de urgência, mas nem sempre garantida no mercado”, afirma o executivo.
- Aguardando valores à Antecipação de recebíveis
Já a antecipação de recebíveis atende a uma situação diferente: a empresa já realizou uma venda, mas ainda não recebeu. Esse recurso permite receber à vista valores que seriam pagos futuramente – como compras parceladas, assinaturas e outros serviços recorrentes.
“Nesse caso, transformar parte do valor futuro em caixa pode ajudar a equilibrar o fluxo financeiro sem assumir uma dívida de longo prazo. Ainda assim, é importante comparar o custo da antecipação com o benefício que aquele dinheiro vai gerar para o negócio”, destaca Marcos.
De modo geral, o processo consiste na identificação de boletos elegíveis para antecipação e deixa o empreendedor escolher quanto deseja antecipar. Para vendas no cartão, também é possível antecipar parcelas.
- Despesas recorrentes à Cartão de crédito empresarial
“Quando a necessidade está relacionada a compras, insumos, ferramentas ou despesas recorrentes, o cartão corporativo é uma forma de ajudar na organização financeira, reunindo todos os gastos em uma única fatura. Além de facilitar o controle, ele separa as despesas da empresa dos gastos pessoais dos sócios”, explica o diretor de crédito.
Critérios para avaliar antes de contratar
Antes de contratar, a maior recomendação de Marcos Visconti consiste em comparar o custo com o retorno esperado. Independentemente da modalidade escolhida, o crédito precisa caber no planejamento financeiro da empresa. Logo, vale analisar:
- Taxa de juros;
- Custo Efetivo Total (CET);
- Prazo de pagamento;
- Impacto das parcelas sobre o fluxo de caixa.
“Se o crédito permite comprar um estoque com desconto, manter a operação durante um período de menor faturamento ou aproveitar uma oportunidade comercial, é possível comparar esse ganho com o custo da operação. O crédito precisa ter uma finalidade clara e ser compatível com a capacidade de pagamento do negócio”, completou.
