Em um ambiente de redações mais enxutas e alta demanda a forma como empresas e assessorias se relacionam com jornalistas tem impacto direto e imediato nas chances de uma pauta avançar. Ainda assim, erros básicos seguem sendo recorrentes e ajudam a explicar por que tantas boas histórias nunca chegam a ser publicadas.
O primeiro deles é a abordagem genérica. Disparos em massa, sem aderência à cobertura do jornalista, seguem sendo uma prática comum e rapidamente descartada. Em um cenário de excesso de informação, relevância deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica.
“Não existe mais espaço para contato sem contexto. O jornalista precisa sentir que houve um esforço real de entendimento do que ele cobre e do tipo de história que faz sentido para o público dele”, afirma Suzana Pertinhez, sócia da Ovo Comunicação, agência de relações com a mídia. “Quando isso não acontece, a mensagem não só é ignorada como desgasta a relação.”
Outro erro frequente é confundir pauta com promoção. Muitas abordagens ainda partem da lógica da marca e não da lógica editorial. O resultado são sugestões que soam publicitárias, sem recorte jornalístico claro.
“Jornalista não está buscando discurso institucional vazio, ele busca informação relevante ou histórias com caldo e novidades”, diz Jader Fernandes, CEO e sócio da Base Comunica. “Sem dado, contexto ou impacto, a chance de uma história avançar é reduzida.”
O terceiro ponto está na condução do relacionamento. Follow-ups excessivos, insistência fora de timing ou falta de compreensão sobre a dinâmica das redações tendem a gerar o efeito oposto ao desejado. Em vez de reforçar o interesse, acabam sendo percebidos como ruído.
Na prática, os três erros têm a mesma raiz: a falta de leitura do contexto editorial. Em um ambiente em que a atenção é escassa, a construção de relacionamento com a imprensa passa menos por volume e mais por precisão.
Evitar esses deslizes não garante publicação, mas amplia significamente suas possibilidade de emplacar.
