O avanço do e-commerce e seus desdobramentos para logística e pagamentos no Brasil têm evidenciado um entrave estrutural fora da operação física: a complexidade fiscal e tributária. O país opera com um volume elevado de documentos fiscais, em um ambiente marcado por fragmentação normativa e alto custo de conformidade. Essa escala se reflete na própria infraestrutura pública: segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados, a nova plataforma da reforma tributária foi projetada para processar até 200 milhões de registros por dia, o equivalente a cerca de 70 bilhões por ano, e, em comparação, o sistema será 150 vezes maior que o PIX.
A Smart Online atua nesse ponto. A empresa já processou mais de R$ 600 bilhões em mercadorias por meio de sua plataforma e soma centenas de milhões de documentos fiscais emitidos, além de mais de R$ 500 milhões em tributos pagos.
Na prática, a companhia conecta lojistas, plataformas e transportadoras e automatiza etapas críticas da operação fiscal, da emissão de documentos ao pagamento de tributos. A base inclui mais de 3.000 CNPJs ativos, entre eles estão os grandes marketplaces e plataformas de e-commerce do país, transportadoras, companhias aéreas e varejistas de diversos setores, como eletroeletrônicos, alimentos e bebidas, moda, saúde, cosméticos e autopeças. O modelo busca reduzir falhas operacionais que, em escala, afetam prazos, custos e a fluidez da cadeia logística.
“À medida que o volume cresce, a complexidade fiscal deixa de ser um tema de compliance e passa a ser um limitador da operação. Muitas empresas travam não por falta de demanda, mas por não conseguirem executar com consistência nessa camada”, afirma Luiz Figueira, CEO da Smart Online.
A tendência é de aumento de pressão sobre essa estrutura. A ABComm estima que o e-commerce brasileiro vai movimentar mais de R$ 258 bilhões em 2026, enquanto projeções da Mordor Intelligence indicam que o setor logístico pode alcançar US$ 150 bilhões até 2029.
Atrasos na emissão de documentos, falhas de integração entre sistemas e retenção de cargas em barreiras fiscais são problemas recorrentes. Em operações de alto volume, inconsistências tributárias se traduzem diretamente em atraso e custo.
“Existe hoje uma desconexão entre a velocidade da economia digital e a forma como a gestão tributária ainda é feita. O objetivo é tornar esse processo integrado e automático, para que a operação acompanhe o crescimento do negócio, e, ao mesmo tempo, 100% em conformidade com as exigências da reforma tributária”, diz o executivo.
A plataforma concentra funções como emissão de documentos fiscais em escala, carteira digital para automação do pagamento de tributos e gestão em tempo real. A atuação funciona como uma camada de infraestrutura entre diferentes agentes da cadeia, reduzindo erros de integração e aumentando a previsibilidade operacional.
O avanço desse tipo de solução acompanha uma mudança mais ampla no setor. A eficiência em vendas e a experiência do cliente passam a depender também da capacidade de operar sem fricção na camada fiscal.
